
Fevereiro de 2010 foi o mais seco no Ceará nos últimos 21 anos. Em média, choveu no Estado apenas 33 milímetros em fevereiro deste ano, 78,2% abaixo da média histórica. Em Fortaleza, foi registrada a maior temperatura para este mês desde 2005: 34º Celsius.
No Sertão Central, região onde choveu menos, foram apenas 20,8 milímetros de chuvas no mês, quando o esperado seria de 139,9 mm. Os dados são da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Segundo o órgão, o quadro de escassez de chuvas deve continuar em março, abril e maio deste ano, período em que há 45% de chances de chover abaixo da média histórica no Ceará.
A meteorologista da Funceme, Gláucia Barbiere, afirma que três fatores explicam a falta de chuvas: o fenômeno ``El Niño`` (aquecimento das águas do Pacífico), que influi nas condições do clima em escala mundial, a não atuação da Zona de Convergência Intertropical, e as altas temperaturas registradas no Estado, com máximas que variam entre 30º C e 33º C.
``Não houve alteração desse quadro de janeiro para cá. Se não houver mudança da atuação do -El Niño-, a chegada da chuva se complica``. Ela acrescenta, porém, que o principal fator para que as chuvas de fato comecem é a descida da Zona de Convergência Intertropical.
``Hoje ela está a cerca de 3º acima da linha do Equador, porque as águas do Atlântico Norte estão mais quentes. Em consequência disso, o principal sistema de formação de chuvas no Nordeste (a zona de convergência) não está atuando``.
O secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado, Antônio Amorim, minimiza as perdas de plantio já no começo de março. ``Na nossa compreensão o inverno ainda não começou. A gente trabalha com a probabilidade de termos o início das chuvas na segunda quinzena de março``, diz ele, baseado na Funceme.